O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, defendeu a criação de comitês anti-bullying nas escolas, o fim da intolerância a desassistência psiquiátrica no país. A defesa foi feita durante audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Câmara dos Deputados, para discutir o bullying nas escolas, realizada no último dia 27 de abril.
Convidado pela deputada Liliam Sá, presidente da Frente, Antônio Geraldo fez críticas à política de saúde mental do Governo Federal, que ignora o problema no Brasil “Quem diz que não acredita em antidepressivos não está preocupado em tratar seus doentes mentais”, disse ele ao lembrar as declarações feitas pelo coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori.
Antônio Geraldo também ressaltou a ausência dos psiquiatras nas equipes de saúde mental e a dificuldade de tratamento. “Hoje os professores já conseguem suspeitar dos alunos com problemas de saúde mental, mas para onde encaminhar para tratamento?”, indagou. “Não basta o governo mostrar disposição para resolver o problema, é preciso vontade política para implantar programas efetivos nas escolas”, disse Antônio Geraldo.
O pediatra Aramis Antônio Lopes Neto, que fez a palestra “Como identificar o bullying nas escolas”, disse que o bullyng é um fenômeno universal que começa a ser praticado pelas crianças já a partir dos 3 anos de idade e admitiu que entre as principais consequências do problema, é a necessidade de atendimento em serviço de saúde mental. “Estudos mostram que alvos de bullyng podem desenvolver sérios problemas de saúde mental com graves consequências, como insegurança, dificuldades de se relacionar e possibilidade de insucesso profissional”. Antônio Geraldo foi mais além: disse que a depressão é uma das consequências do bullying não tratado na infância.
A deputada Cida Borghetti (PP/PR) elogiou a explanação do presidente da ABP. “Antônio Geraldo falou como quem conhece a mente humana” e pediu o apoio da ABP ao projeto de lei apresentado por ela, aprovado pela Comissão de Seguridade Social, que altera o artigo 53 do ECA, responsabilizando os jovens enquanto estudantes. A deputada Rosane Ferreira (PV/PR) concordou com o presidente da ABP de que “é uma utopia encontrar um psiquiatra na rede pública de saúde. Não deveria ser assim”.
Já a deputada Flávia Moraes (PDT/GO) sugeriu que a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente convide também os ministros da Educação e da Saúde para apresentarem o que o Governo Federal está fazendo como medidas preventivas contra o bullying nas escolas e sobre a política de saúde mental no Brasil.
Na audiência, que teve a participação de representantes de conselhos tutelares, do colégio militar, educadores, assistentes sociais e representantes da Secretaria de Direitos Humanos, Antônio Geraldo lembrou que negar a doença mental é a forma mais fácil de não tratá-la e pediu a todos que fizessem uma reflexão: “que filhos estamos criando para deixar no mundo?”